Marielle, Presente. Hoje, amanhã e sempre!

Marielle Franco, presente!

Há exatamente 1 ano atrás, em 14 de março de 2018, aconteceu um dos crimes que iria eternizar uma mancha na imagem do nosso país. O assassinato covarde da vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes.

Mas talvez, o maior motivo de revolta para quem tem o mínimo de empatia com o ser humano, é saber as condições que motivaram o assassinato de Marielle. Podemos considerar o ato como uma repressão a quem prioriza os que vivem à margem da sociedade, visando calar a voz de quem pensa diferente.

Entretanto, quem tramou a execução de Marielle não imaginava que ao tentar calar a sua voz, consequentemente iria provocar um barulho ensurdecedor de outras milhões. Marielle ainda vive, e sua existência está eternizada de uma forma que nenhuma arma poderá apagar.

A carne mais barata do mercado é a carne negra? Negativo, muito pelo contrário. Nós que não sabemos se quer mensurar o valor do nosso povo e suas raízes.

1 ano sem Marielle Franco
1 ano sem Marielle Franco

Marielle, Presente!

Marielle Franco foi uma mulher negra, socióloga, que cresceu na favela da Maré, no Rio de Janeiro. Desde pequena tinha o perfil de quem não desiste do que acredita. Guerreira, ela ia até às últimas consequências para brigar por suas ideologias, o que a fez se identificar com a política para conseguir batalhar pelos direitos dos menos favorecidos (pobres e negros das comunidades do seu estado).

Aos 19 anos de idade, se tornou mãe de uma menina (Luyara Franco). As dificuldades que ela encontrou durante esse processo ajudaram a desenvolver seu perfil de lutadora pelos direitos das mulheres, debatendo esses temas nas favelas. Mas, sua militância aflorou após ingressar no pré-vestibular comunitário e perder uma amiga, vítima de bala perdida em um tiroteio entre policiais e traficantes no Complexo da Maré.

Mesmo sem ter o mínimo de condições (assim como a maioria das pessoas que moram nas periferias), Marielle se formou pela Puc-Rio e fez mestrado em Administração Pública pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Sua dissertação abordou o tema: “UPP: a redução da favela a três letras”.

Depois de formada, Marielle trabalhou em organizações da sociedade civil, tais como Brasil Foundation e o Centro de Ações Solidárias da Maré (Ceasm). Posteriormente, ela foi eleita como vereadora do estado do Rio de Janeiro (com uma média de votos extremamente expressiva, sendo 46.502) além de ter sido presidente da Comissão da Mulher da Câmara.

Ao lado de Marcelo Freixo, ela também coordenou a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro. Na concepção de Marielle Franco, a política era um fator fundamental para reduzir as desigualdades que nos cercam.

Emboscada para Marielle

Quem mandou matar Marielle?
Quem mandou matar Marielle?

No dia 14 de março de 2018, Marielle estava participando do evento Roda de conversa Mulheres Negras Movendo Estruturas, movimento destinado a ativistas negras, onde falava um pouco da sua experiência e consequências por ter sido fruto do pré-vestibular comunitário realizado no Complexo da Maré. Neste mesmo dia, a vereadora do PSOL – quinta mais votada no Rio em 2016 – teve o carro abordado na saída do evento, na região central do Rio de Janeiro, onde foram disparados 13 tiros em sua direção.

No carro estavam Marielle, seu motorista Anderson Gomes e a assessora Fernanda Chaves (única sobrevivente).

Identificação dos Culpados

Depois de quase um ano – no último dia 12 de março de 2019 – policiais da Divisão de Homicídios da Polícia Civil e promotores do Ministério Público do Rio de Janeiro prenderam, por volta das 4h30, o policial militar reformado Ronnie Lessa, de 48 anos, e o ex-policial militar Élcio Vieira de Queiroz, de 46 anos. A força-tarefa aponta para os dois como autores pelo crime de assassinato da vereadora e seu motorista. Ao que tudo indica, Ronie Lessa teria efetuado os disparos, enquanto Élcio Vieira de Queiroz estaria no volante do carro.

É inconteste que Marielle Francisco da Silva foi sumariamente executada em razão da atuação política na defesa das causas que defendia

Ministério Público

Em nota, o ministério público descreve como “barbárie” e “golpe ao Estado Democrático de Direito” o assassinato cometido na noite de 14 de março do ano passado.

Resumindo, podemos concluir que um ano após o caso Marielle, as respostas que temos não são suficiente para amenizar o sentimento de revolta e impotência, e talvez esses sentimentos durem para sempre. Apesar das prisões decretadas aos ex-policiais, fica uma pergunta no ar que não vai se calar enquanto não houver resposta: Quem mandou matar Marielle Franco?

O fato é que a sua voz jamais será calada enquanto tivermos pessoas que briguem pelos mesmos ideais, enquanto tivermos esperança, enquanto tivermos “MARIELLES”!


Kayque Borges

Artigo publicado por Kayque Borges

Criador de conteúdo nas horas vagas.

Me acompanhe no Instagram & Facebook

COMPARTILHE NAS REDES SOCIAIS

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *